“Onde tudo começou”: campeão dentro e fora das quatro linhas

Agachado, o terceiro da direita para a esquerda: Vander Iacovino nos tempos de base no CE Penha antes de se transferir para o Gercan. (Foto: arquivo pessoal)

Sua história no futsal começou no Clube Esportivo Penha, localizado na zona leste de São Paulo. Por lá, atuou nas categorias de base até virar profissional. Em 82, foi defender as cores de uma tradicional equipe da época: Gercan, nas categorias de base e depois adulto. O ex-ala canhoto também atuou por Sumov, Corinthians, Moinho Água Branca, Bordon, Banfort, Impacel, GM e clubes da Europa: Mitsubishi (ESP), Academia Postal (ESP), além da seleção brasileira.

O currículo de títulos é extenso, o ex-atleta coleciona campeonatos estaduais, brasileiros, metropolitanos, brasileiros de clubes, único campeão de Seleções por São Paulo nas categorias juvenil e adulto nos anos de 1984 e 1999, respectivamente, passando por Pan Americanos de Seleções, Mundiais de Seleções, Copa América e Mundialitos. Por onde passou, o paulista de 53 anos ergueu troféus.

Na terceira reportagem da série “Onde tudo começou”, o personagem da vez é um ex-jogador que foi um dos principais nomes do futsal e salão brasileiro, e um dos líderes e responsáveis por colocar a seleção brasileira de futsal no cenário mundial: Vander Iacovino.

Capitão durante oito anos e utilizando a forte camisa de número 12 da Seleção, Vander fez parte de uma geração que marcou época formada por grandes nomes da modalidade. Em 1992, por exemplo, ano em que a FIFA organizou pela segunda vez a competição – o primeiro foi em 1989 -, o Brasil conquistou o seu primeiro título na modalidade futsal, mas o quarto caneco somando mundiais do futebol de salão e futsal. Faziam parte do elenco: Serginho, Serginho Schioret, Manoel Tobas, Edinho, Chiquinho, Fininho, Morillo, Rogério Motta, Jorginho, Mazureik, Ortiz, além de Vander. Em 1996, quando veio o quinto título, Vander ergueu a taça de bi-campeão ao lado de: Serginho, Bagé, Márcio, Vaguinho, Manoel Tobias, Fininho, Sandrinho, Danilo, Clóvis Simas, Chôco e Djacir. Nas duas conquistas o time foi treinado por Takão.

Vander Iacovino, capitão e usando a eterna camisa 12, defendeu as cores da verde a amarela durante 12 anos.

Com um currículo recheado de conquistas e o respeito adquirido ao longo dos seus 22 anos como atleta de futebol de salão e futsal, Vander poderia se distanciar do esporte após o encerramento de sua carreira, mas conforme o próprio confessou, antes mesmo de pendurar os tênis o plano de ser técnico já estava traçado. “Já vinha me preparando mesmo ainda atuando. Tinha costume de anotar os treinamentos dos meus treinadores e ir inserindo coisas que eu já gostava de fazer”, disse o ex-jogador, que largou as chuteiras e adotou a prancheta como fiel escudeira.

“Parar de jogar não foi o problema, pois iniciei muito cedo como atleta em regime profissional, de treinar dois períodos por dia, então já estava cansando, lesões e a vontade de estar mais perto da família”, destaca, e admite: “Ser atleta é muito melhor, sua preocupação é só com o jogo, sua performance. Como treinador o trabalho vai além da quadra, e você precisar se preparar para isso.”

Mas, como técnico, o caminho das vitórias sem dúvida anda lado a lado com Vander Iacovino, atualmente treinador do JEC/Krona. Pelo clube catarinense vieram títulos importantes como: Liga Nacional, Taça Brasil e Estadual. Quando comandou o Brasil Kirin -SP, também conquistou a Liga Nacional, além da LPF e Jogos Regionais. Se o sucesso em clubes não fosse o bastante, antes ele foi técnico e campeão com equipes de base da seleção brasileira masculina e feminina principal. Foi auxiliar técnico da masculina principal fazendo parte, inclusive, da comissão campeã no Mundial de 2012. Vander é o único tricampeão do Mundo da história como jogador e auxiliar técnico.

Vander Iacovino foi auxiliar técnico do time campeão do Mundial em 2012. (Foto: arquivo pessoal)

Sobre a sua passagem de dentro das quatro linhas para fora delas , o ex-capitão da Seleção destaca que existiu um processo de adaptação. E, sempre esteve consciente de que a postura e personalidade influenciaram no dia a dia do seu trabalho para saber lidar com as situações que iriam aparecer. Se antes os jogadores o via como um companheiro e respeitado colega de profissão, desde que optou pelo cargo de treinador o trabalho teria que ser recomeçado do zero, a fim de conquistar o respeito e a confiança agora no lado de fora de quadra. Os fatores citados moldam o técnico e, consequentemente, a confiança dos que estão a sua volta aparecem naturalmente.

Quando perguntado sobre os trabalhos que ele já realizou tanto em sua época de jogador quanto agora de treinador, Vander foi enfático: não gosta de se autoavaliar. Essa função ele deixa para quem está de fora. “Não gosto muito de me autoavaliar, isso fica para os críticos que acompanham. O que posso dizer é que tanto como jogador e agora como treinador, a sede por estar sempre buscando o melhor, aprendendo, adquirindo conhecimento e procurando sempre estar na briga por títulos é o que me move”, concluiu.

*Em 1988, a extinta  Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA) organizou o seu último Mundial de Seleções, na Austrália, com Vander disputando o seu primeiro mundial e sendo vice-campeão.

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